Questão 13 do ENEM 2019 — Literatura

HELOÍSA: Faz versos?

PINOTE: Sendo preciso… Quadrinhas… Acrósticos… Sonetos… Reclames.

HELOÍSA: Futuristas?

PINOTE: Não senhora! Eu já fui futurista. Cheguei a acreditar na independência… Mas foi uma tragédia! Começaram a me tratar de maluco. A me olhar de esguelha. A não me receber mais. As crianças choravam em casa. Tenho três filhos. No jornal também não pagavam, devido à crise. Precisei viver de bicos. Ah! Reneguei tudo. Arranjei aquele instrumento (Mostra a faca) e fiquei passadista.

ANDRADE, O. O rei da vela. São Paulo: Globo, 2003.

O fragmento da peça teatral de Oswald de Andrade ironiza a reação da sociedade brasileira dos anos 1930 diante de determinada vanguarda europeia. Nessa visão, atribui-se ao público leitor uma postura

A
Preconceituosa, ao evitar formas poéticas simplificadas.
✓
Conservadora, ao optar por modelos consagrados.
C
Preciosista, ao preferir modelos literários eruditos.
D
Nacionalista, ao negar modelos estrangeiros.
E
Eclética, ao aceitar diversos estilos poéticos.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Pinote abandona o futurismo — que o isolou socialmente e o deixou sem trabalho — e se declara "passadista", voltando a escrever quadrinhas, acrósticos e sonetos, formas já consagradas pela tradição literária. O público retratado na peça tem, portanto, uma postura conservadora, que valoriza modelos já estabelecidos em vez de aceitar a novidade vanguardista.

A leitura de que essa postura é nacionalista, por negar modelos estrangeiros, não se sustenta: soneto e quadrinha também são formas de origem europeia, e o que o público rejeita não é o estrangeirismo, e sim a ruptura formal do futurismo, preferindo o que já é tradicional e aceito.

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