Questão 64 do ENEM 2018 — Sociologia
Outra importante manifestação das crenças e tradições africanas na Colônia eram os objetos conhecidos como “bolsas de mandinga”. A insegurança tanto física como espiritual gerava uma necessidade generalizada de proteção: das catástrofes da natureza, das doenças, da má sorte, da violência dos núcleos
urbanos, dos roubos, das brigas, dos malefícios de feiticeiros etc. Também para trazer sorte, dinheiro e até atrair mulheres, o costume era corrente nas primeiras décadas do século XVIII, envolvendo não apenas escravos, mas também homens brancos.
CALAINHO, D. B. Feitiços e feiticeiros. In: FIGUEIREDO, L. História do Brasil para ocupados. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013 (adaptado).
A prática histórico-cultural de matriz africana descrita no texto representava um(a)
Resolução comentada
As bolsas de mandinga eram usadas por escravizados e até por homens brancos como proteção contra doenças, violência e má sorte, num contexto de grande insegurança cotidiana. Elas funcionavam, portanto, como um instrumento para minimizar o sentimento de desamparo social vivido por essas pessoas.
A ideia de elemento de conversão dos escravos ao catolicismo romano está errada: as bolsas de mandinga eram práticas de matriz africana buscando proteção e sorte, e não instrumentos de catequese cristã.