Questão 52 do ENEM 2018 — Filosofia
Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, é válido também para o tempo durante o qual os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força e invenção.
HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1983
Não vamos concluir, com Hobbes que, por não ter nenhuma ideia de bondade, o homem seja naturalmente mau. Esse autor deveria dizer que, sendo o estado de natureza aquele em que o cuidado de nossa conservação é menos prejudicial à dos outros, esse estado era, por conseguinte, o mais próprio à paz e o mais conveniente
ao gênero humano.
ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem e o fundamento da desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1993 (adaptado).
Os trechos apresentam divergências conceituais entre autores que sustentam um entendimento segundo o qual a igualdade entre os homens se dá em razão de uma
Resolução comentada
Mesmo divergindo sobre a natureza humana ser boa ou má, Hobbes e Rousseau partem do mesmo ponto de partida: todos os homens compartilham o mesmo estado de natureza, anterior a qualquer organização social ou política. É dessa origem comum, dessa condição original partilhada por todos, que decorre a igualdade entre os homens.
A ideia de vocação política erra o alvo: os dois filósofos estão descrevendo justamente o momento anterior à vida política, não uma disposição para ela. A igualdade nasce do ponto de partida natural, não de um destino político comum.