Questão 36 do ENEM 2018 — Literatura
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.
Passou um homem e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada. Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Best Seller, 2008.
O sujeito poético questiona o uso do vocábulo “enseada” porque a
Resolução comentada
Quando o rio "vira" enseada por causa do nome técnico, o sujeito poético sente que a palavra precisa e objetiva empobrece a imagem poética que ele tinha construído (a "cobra de vidro"), reduzindo a percepção sensível a um termo geográfico neutro.
A ideia de que a definição muda o significado do termo no dicionário não é o problema apontado pelo eu lírico — não se trata da definição estar errada — mas de como nomear tecnicamente algo elimina a riqueza da imagem subjetiva que a linguagem poética havia criado.