Questão 31 do ENEM 2018 — Educação Física
A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. […] O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não é organizado para ser jogado, mas para impedir que se jogue. A tecnocracia do esporte profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia ã alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia. Por sorte ainda aparece nos campos, […] algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade.
GALEANO, E. Futebol ao sol e à sombra. Porto Alegre: L&PM Pockets, 1995 (adaptado).
O texto indica que as mudanças nas práticas corporais, especificamente no futebol,
Resolução comentada
Segundo Galeano, o futebol deixou de ser jogado pelo simples prazer e virou um espetáculo lucrativo voltado para espectadores, o que transformou o esporte em produto de consumo e sufocou sua dimensão de criatividade e improviso.
A ideia de que a modernização incentivou a associação do futebol à fruição, favorecendo o improviso, afirma o oposto do texto: Galeano não elogia a modernização do futebol como estímulo à fruição e ao improviso — pelo contrário, lamenta que a "tecnocracia" tenha proibido justamente a ousadia e a fantasia no jogo.