Questão 129 do ENEM 2018 — Biologia

Muitos primatas, incluindo nós humanos, possuem visão tricromática: têm três pigmentos visuais na retina sensíveis à luz de uma determinada faixa de comprimentos de onda. Informalmente, embora os pigmentos em si não possuam cor, estes são conhecidos como pigmentos“azul”, “verde” e “vermelho” e estão associados ã cor que causa grande excitação (ativação). A sensação que temos ao observar um objeto colorido decorre da ativação relativa dos três pigmentos. Ou seja, se estimulássemos a retina com uma luz na faixa de 530 nm (retângulo I no gráfico), não excitaríamos o pigmento “azul”, o pigmento “verde” seria ativado ao máximo e o “vermelho” seria ativado em aproximadamente 75%, e Isso nos daria a sensação de ver uma cor amarelada. Já uma luz na faixa de comprimento de onda de 600 nm (retângulo II) estimularia o pigmento “verde” um pouco e o “vermelho” em cerca de 75%, e Isso nos daria a sensação de ver laranja-avermelhado. No entanto, há características genéticas presentes em alguns indivíduos, conhecidas coletivamente como Daltonismo, em que um ou mais pigmentos não funcionam perfeitamente.

Caso estimulássemos a retina de um indivíduo com essa característica, que não possuísse o pigmento conhecido como “verde”, com as luzes de 530 nm e 600 nm na mesma intensidade luminosa, esse indivíduo seria incapaz de

A
Identificar o comprimento de onda do amarelo, uma vez que não possui o pigmento “verde”.
B
Ver o estímulo de comprimento de onda laranja, pois não haveria estimulação de um pigmento visual.
C
Detectar ambos os comprimentos de onda, uma vez que a estimulação dos pigmentos estaria prejudicada.
D
Visualizar o estímulo do comprimento de onda roxo, já que este se encontra na outra ponta do espectro.
✓
Distinguir os dois comprimentos de onda, pois ambos estimulam o pigmento “vermelho” na mesma intensidade.
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

Sem o pigmento “verde”, a retina desse indivíduo só tem o pigmento “vermelho” para responder às duas luzes — e o texto informa que tanto a luz de 530 nm quanto a de 600 nm ativam esse pigmento em cerca de 75%, a mesma intensidade. Como a única informação disponível (a ativação do pigmento vermelho) é idêntica nos dois casos, o indivíduo não teria como perceber diferença entre as duas cores.

A afirmação de que ele não conseguiria identificar o comprimento de onda do amarelo não é o cerne da questão: o problema não é a ausência de um comprimento de onda específico, e sim a incapacidade de comparar dois estímulos diferentes que produzem exatamente a mesma resposta no único pigmento funcional.

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