Questão 22 do ENEM 2017 — Língua Portuguesa
TEXTO I
A língua ticuna é o idioma mais falado entre os indígenas brasileiros. De acordo com o pesquisador Aryon Rodrigues, há 40 mil índios que falam o idioma. A maioria mora ao longo do Rio Solimões, no Alto Amazonas. É a maior nação indígena do Brasil, sendo também encontrada no Peru e na Colômbia. Os ticunas falam uma língua considerada isolada, que não mantém semelhança com nenhuma outra língua indígena e apresenta complexidades em sua fonologia e sintaxe.
Sua característica principal é o uso de diferentes alturas na voz.
O uso intensivo da língua não chega a ser ameaçado pela proximidade de cidades ou mesmo pela convivência com falantes de outras línguas no interior da própria área ticuna: nas aldeias, esses outros falantes são minoritários e acabam por se submeter à realidade ticuna, razão pela qual, talvez, não representem uma ameaça linguística.
Lingua Portuguesa, n. 52, few 2010 (adaptado)
TEXTO II
Riqueza da língua
“O inglês está destinado a ser uma língua mundial em sentido mais amplo do que o latim foi na era passada e o francês é na presente”, dizia o presidente americano John Adams no século XVIII. A profecia se cumpriu o inglês é hoje a língua franca da globalização. No extremo oposto da economia linguística mundial, estão as línguas de pequenas comunidades declinantes. Calcula-se que hoje se falem de 6 000 a 7 000 línguas no mundo todo. Quase metade delas deve desaparecer nos próximos 100 anos, A última edição do Ethnologue – o mais abrangente estudo sobre as línguas mundiais -, de 2005, listava 516 línguas em risco de extinção.
Veja, n. 36, set 2007 (adaptado).
Os textos tratam de línguas de culturas completamente diferentes, cujas realidades se aproximam em função do(a)
Resolução comentada
O Texto I mostra como o inglês se tornou a "língua franca" da globalização, dominando o cenário mundial, enquanto o Texto II fala de milhares de línguas pequenas fadadas à extinção diante dessa expansão. O que aproxima as duas situações é o fato de línguas fortes (como o inglês) se sobreporem e ameaçarem línguas menores — ou seja, o predomínio de certas línguas em relação às outras línguas de contato.
Dizer que essas línguas dominantes têm como objetivo causar o desaparecimento das minoritárias generaliza demais: os textos afirmam apenas que esse é um efeito colateral de sua expansão e prestígio — a motivação central discutida é o predomínio e a hegemonia linguística.