Questão 19 do ENEM 2017 — Educação Física
A ascensão social por meio do esporte mexe com o imaginário das pessoas, pois em poucos anos um adolescente pode se tornar milionário caso tenha um bom desempenho esportivo. Muitos meninos de famílias pobres jogam com o objetivo de conseguir dinheiro para oferecer uma boa qualidade de vida à família. Isso aproximou mais ainda o futebol das camadas mais pobres da sociedade, tornando-o cada vez mais popular.
Acontece que esses jovens sonham com fama e dinheiro, enxergando no futebol o único caminho possível para o sucesso. No entanto, eles não sabem da grande dificuldade que existe no início dessa jornada em que a minoria alcança a carreira profissional. Esses garotos abandonam a escola pela ilusão de vencer no futebol, à qual a maioria sucumbe.
O caminho até o profissionalismo acontece por meio de um longo processo seletivo que os jovens têm de percorrer. Caso não seja selecionado, esse atleta poderá ter que abandonar a carreira involuntariamente por falta de uma equipe que o acolha. Alguns podem acabar em subempregos, à margem da sociedade, ou até mesmo em vícios de correntes dese fracasso e dessa desilusão. Isso acontece porque no auge da sua formação escolar e na Condição juvenil de desenvolvimento, eles não se preparam e não são devidamente orientados para buscar alternativas de experiências mais amplas de ocupação fora e além do futebol.
BALZANO, O N MORAIS, J. S. A formação do jogador de futebol e sua relação Com a escola EFDeportes, n. 172, set 2012 (adaptado)
Ao abordar o fato de, no Brasil, muitos jovens depositarem suas esperanças de futuro no futebol, o texto critica o(a)
Resolução comentada
O texto mostra jovens pobres que apostam tudo no futebol como único caminho de ascensão social e, por isso, abandonam os estudos — sem perceber que a maioria não vai virar jogador profissional. A crítica recai sobre o fato de esses garotos não se prepararem para outras possibilidades de vida, ou seja, sobre a despreocupação com uma formação paralela ao esporte que os habilitaria para outras áreas.
A leitura sobre o investimento reduzido dos atletas em sua formação escolar chega perto, mas inverte a causa e a consequência: o texto não diz que o pouco investimento na escola é o alvo direto da crítica, e sim que essa falta de preparo paralela deixa os jovens sem alternativa quando o sonho do futebol não se realiza — o foco da crítica é essa ausência de plano B, não apenas o desempenho escolar em si.