Questão 6 do ENEM 2016 — Filosofia
Ser ou não ser — eis a questão.
Morrer — dormir — Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obriguam a hesitar: e é essa a reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
SHAKESPEARE, W. Hamlet. Porto Alegre: L&PM, 2007
Este solilóquio pode ser considerado um precursor do existencialismo ao enfatizar a tensão entre
Resolução comentada
No solilóquio, Hamlet reflete sobre a própria existência e o medo do desconhecido após a morte, uma reflexão que nasce da consciência de si mesmo e gera angústia diante da vida e da decisão de agir — essa tensão entre pensar sobre a própria existência e sofrer com essa reflexão é o núcleo do existencialismo, retratado na consciência de si e angústia humana.
A leitura da tragicidade da personagem e ordem do mundo é tentadora por parecer descrever o drama de Hamlet, mas o existencialismo não trata do destino externo imposto por uma ordem do mundo — ele valoriza a reflexão interior do indivíduo sobre sua própria consciência, que é o que o trecho evidencia.