Questão 41 do ENEM 2016 — Filosofia
Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor – mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência ambiental da modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de de Sunidade.
BERMAN, M. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. São Paulo: Cia, das Letras, 1986 (adaptado).
O texto apresenta uma interpretação da modernidade que a caracteriza como um(a)
Resolução comentada
Berman define a modernidade por seus opostos simultâneos: ela promete aventura e crescimento ao mesmo tempo que ameaça destruir tudo; une a espécie humana numa "unidade de desunidade". Trata-se, portanto, de uma dinâmica social contraditória, um paradoxo permanente.
Chamá-la de processo histórico homogeneizador capta só metade da ideia: a modernidade de fato atravessa fronteiras, mas ignora o ponto central do texto — essa unidade é paradoxal, feita de conflito e desintegração, não de uniformidade.