Questão 39 do ENEM 2015 — Sociologia
Na sociedade contemporânea, onde as relações sociais tendem a reger-se por imagens midiáticas, a imagem de um indivíduo, principalmente na indústria do espetáculo, pode agregar valor econômico na medida de seu incremento técnico: amplitude do espelhamento e da atenção pública. Aparecer é então mais do que ser; o sujeito é famoso porque é falado. Nesse âmbito, a lógica circulatória do mercado, ao mesmo tempo que acena democraticamente para as massas com supostos “ganhos distributivos” (a informação ilimitada, a quebra das supostas hierarquias culturais), afeta a velha cultura disseminada na esfera pública. A participação nas redes sociais, a obsessão dos selfies, tanto falar e ser falado quanto ser visto são índices do desejo de “espelhamento”.
SODRÉ, M. Disponível em: http://alias.estadao.com.br. Acesso em: 9 fev. 2015 (adaptado).
A crítica contida no texto sobre a sociedade contemporânea enfatiza
Resolução comentada
O alvo da crítica de Muniz Sodré é o culto de si nas redes: selfies, obsessão por “aparecer”, ser visto e falado — o “desejo de espelhamento” em que a própria imagem vira o centro de tudo. O texto enfatiza a prática identitária autorreferente: uma identidade construída em referência a si mesma, para consumo do público.
A opção sobre os processos difusores de informações erra o foco: a difusão de informações é só o meio; o que o autor critica é o uso narcísico dele — aparecer tornou-se “mais do que ser”.