Questão 23 do ENEM 2015 — História
TEXTO I
Em todo o país a lei de 13 de maio de 1888 libertou poucos negros em relação à população de cor. A maioria já havia conquistado a alforria antes de 1888, por meio de estratégias possíveis. No entanto, a importância histórica da lei de 1888 não pode ser mensurada apenas em termos numéricos. O impacto que a extinção da escravidão causou numa sociedade constituída a partir da legitimidade da propriedade sobre a pessoa não cabe em cifras.
ALBUQUERQUE. W. O jogo da dissimulação: Abolição e cidadania negra no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 2009 (adaptado).
TEXTO II
Nos anos imediatamente anteriores à Abolição, a população livre do Rio de Janeiro se tornou mais numerosa e diversificada. Os escravos, bem menos numerosos que antes, e com os africanos mais aculturados, certamente não se distinguiam muito facilmente dos libertos e dos pretos e pardos livres habitantes da cidade. Também já não é razoável presumir que uma pessoa de cor seja provavelmente cativa, pois os negros libertos e livres poderiam ser encontrados em toda parte.
CHALHOUB, S. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na Corte. São Paulo: Cia. das Letras, 1990 (adaptado).
Sobre o fim da escravidão no Brasil, o elemento destacado no Texto I que complementa os argumentos apresentados no Texto II é o(a)
Resolução comentada
O Texto II mostra que, às vésperas de 1888, a escravidão já estava esvaziada na prática: poucos escravos, muitos libertos e livres. O Texto I complementa dizendo que a importância da Lei Áurea “não cabe em cifras”: ela extinguiu a legitimidade da propriedade sobre pessoas, um marco simbólico para toda a sociedade. O elemento destacado é o significado político da Abolição.
A opção que fala em ineficácia prática da libertação distorce o Texto I: dizer que a lei libertou poucos não significa que ela foi ineficaz — o autor afirma justamente que seu impacto vai além dos números.