Questão 14 do ENEM 2015 — História
Em sociedade de origens tão nitidamente personalistas como a nossa, é compreensível que os simples vínculos de pessoa a pessoa, independentes e até exclusivos de qualquer tendência para a cooperação autêntica entre os indivíduos, tenham sido quase sempre os mais decisivos. As agregações e relações pessoais, embora por vezes precárias, e, de outro lado, as lutas entre facções, entre famílias, entre regionalismos, faziam dela um todo incoerente e amorfo. O peculiar da vida brasileira parece ter sido por essa época, uma acentuação singularmente enérgica do afetivo, do irracional, do passional e uma estagnação ou antes uma atrofia correspondente das qualidades ordenadoras, disciplinadoras, racionalizadoras.
HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1995.
Um traço formador da vida pública brasileira expressa-se, segundo a análise do historiador, na
Resolução comentada
Sérgio Buarque de Holanda descreve uma sociedade personalista, em que os vínculos pessoais, afetivos e familiares pesam mais do que as regras impessoais e a cooperação coletiva. Na vida pública, isso se traduz na prevalência dos interesses privados sobre o interesse comum — é a raiz do conceito de “homem cordial”.
As demais alternativas dizem o contrário do texto: rigidez jurídica, solidez institucional e estabilidade política são justamente as “qualidades ordenadoras e racionalizadoras” que, segundo o autor, se atrofiaram no Brasil.