Questão 7 do ENEM 2014 — Sociologia
Mas plantar pra dividir
Não faço mais isso, não.
Eu sou um pobre caboclo,
Ganho a vida na enxada.
O que eu colho é dividido
Com quem não planta nada.
Se assim continuar
vou deixar o meu sertão,
mesmo os olhos cheios d’água
e com dor no coração.
Vou pro Rio carregar massas
pros pedreiros em construção.
Deus até está ajudando:
está chovendo no sertão!
Mas plantar pra dividir,
Não faço mais isso, não.
VALE, J.; AQUINO, J. B. Sina de caboclo. São Paulo: Polygram, 1994 (fragmento).
No trecho da canção, composta na década de 1960, retrata-se a insatisfação do trabalhador rural com:
Resolução comentada
O verso-chave é “O que eu colho é dividido com quem não planta nada”: o caboclo trabalha na enxada, mas o fruto do seu trabalho fica com quem não produz. A revolta é com a distribuição desigual da produção agrícola, marca das relações de trabalho no campo, como a parceria e o arrendamento.
A leitura pelos empecilhos das secas prolongadas cai pela própria canção: “Deus até está ajudando: está chovendo no sertão!”. Não é a seca que o expulsa — é a injustiça na divisão da colheita.