Questão 5 do ENEM 2013 — História

De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares […]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente.

Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001.

A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o projeto colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o relato enfatiza o seguinte objetivo:

✓
Valorizar a catequese a ser realizada sobre os povos nativos.
B
Descrever a cultura local para enaltecer a prosperidade portuguesa.
C
Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre o potencial econômico existente.
D
Realçar a pobreza dos habitantes nativos para demarcar a superioridade europeia.
E
Criticar o modo de vida dos povos autóctones para evidenciar a ausência de trabalho.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

Ao afirmar que “o melhor fruto que dela se pode tirar” será “salvar esta gente”, Caminha revela que, apesar da terra não ter ouro nem prata, o real objetivo do projeto colonizador era a catequização dos povos indígenas — convertê-los à fé cristã.

Dizer que o objetivo era realçar a pobreza dos nativos para demarcar a superioridade europeia é tentador porque o texto realmente menciona a ausência de metais preciosos, mas essa observação serve apenas para justificar a proposta seguinte, de catequese, e não para diminuir os indígenas frente aos europeus.

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