Questão 36 do ENEM 2013 — Filosofia
Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento.
KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado).
O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que
Resolução comentada
Kant contrapõe duas teses: a tradicional, em que o conhecimento se regula pelos objetos, e a sua proposta, em que os objetos se regulam pelo nosso conhecimento. São posições que assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento — daí a comparação com a revolução de Copérnico.
A ideia de que as duas teses seriam recusadas por Kant erra: ele rejeita a primeira, mas defende a segunda, que é justamente a sua revolução copernicana na filosofia.