Questão 32 do ENEM 2013 — História
Ninguém desconhece a necessidade que todos os fazendeiros têm de aumentar o número de seus trabalhadores. E como até há pouco supriam-se os fazendeiros dos braços necessários? As fazendas eram alimentadas pela aquisição de escravos, sem o menor auxílio pecuniário do governo. Ora, se os fazendeiros se supriam de braços à sua custa, e se é possível obtê-los ainda, posto que de outra qualidade, por que motivo não hão de procurar alcançá-los pela mesma maneira, isto é, à sua custa?
Resposta de Manuel Felizardo de Souza e Mello, diretor geral das Terras Públicas,ao Senador Vergueiro. In: ALENCASTRO, L.F. (Org.) História da vida privada no Brasil. São Paulo:Cia das Letras, 1998 (adaptado).
O fragmento do discurso dirigido ao parlamentar do Império refere-se às mudanças então em curso no campo brasileiro, que confrontaram o Estado e a elite agrária em torno do objetivo de
Resolução comentada
Com o fim do tráfico de escravizados, os fazendeiros precisavam de braços de outra qualidade: os imigrantes. O diretor de Terras Públicas argumenta que eles deveriam custear essa mão de obra, como custeavam os escravos — revelando o embate entre Estado e elite agrária sobre definir uma política de subsídio governamental para o fomento da imigração.
A ideia de regulamentar o tráfico interprovincial de cativos não é o centro do debate: o texto não discute o comércio interno de cativos, e sim quem pagaria a conta da substituição do trabalho escravo pelo imigrante.