Questão 16 do ENEM 2013 — Sociologia
Um trabalhador em tempo flexível controla o local do trabalho, mas não adquire maior controle sobre o processo em si. A essa altura, vários estudos sugerem que a supervisão do trabalho é muitas vezes maior para os ausentes do escritório do que para os presentes. O trabalho é fisicamente descentralizado e o poder sobre o trabalhador, mais direto.
SENNETT, R. A corrosão do caráter: consequências pessoais do novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 1999 (adaptado).
Comparada à organização do trabalho característica do taylorismo e do fordismo, a concepção de tempo analisada no texto pressupõe que
Resolução comentada
No taylorismo-fordismo, o controle incidia sobre o processo: cronômetro, supervisão direta na fábrica. No trabalho flexível, o empregado escolhe onde trabalhar, mas é cobrado por metas e entregas — os mecanismos de controle deslocam-se dos processos para os resultados do trabalho, e a vigilância até aumenta.
A ideia de que as tecnologias de informação seriam usadas para democratizar as relações laborais contraria o texto: Sennett mostra que a tecnologia não democratizou as relações de trabalho — o poder sobre o trabalhador ficou mais direto, não mais igualitário.