Questão 9 do ENEM 2012 — Sociologia
Na regulação de matérias culturalmente delicadas, como, por exemplo, a linguagem oficial, os currículos da educação pública, o status das Igrejas e das comunidades religiosas, as normas do direito penal (por exemplo, quanto ao aborto), mas também em assuntos menos chamativos, como, por exemplo, a posição da família e dos consórcios semelhantes ao matrimônio, a aceitação de normas de segurança ou a delimitação das esferas pública e privada — em tudo isso reflete-se amiúde apenas o autoentendimento ético-político de uma cultura majoritária, dominante por motivos históricos. Por causa de tais regras, implicitamente repressivas, mesmo dentro de uma comunidade republicana que garanta formalmente a igualdade de direitos para todos, pode eclodir um conflito cultural movido pelas minorias desprezadas contra a cultura da maioria.
HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política. São Paulo: Loyola, 2002.
A reivindicação dos direitos culturais das minorias, como exposto por Habermas, encontra amparo nas democracias contemporâneas, na medida em que se alcança
Resolução comentada
Habermas critica regras que impõem a todos o modo de vida da cultura majoritária. A saída democrática que ele propõe é a coexistência das diferenças mediada pelo debate público, em que os discursos de autoentendimento se submetem à "coerção do melhor argumento" — vence a razão, não a maioria dominante.
A opção que defende reunificar a sociedade fragmentada em torno de uma cultura política nacional coesa propõe exatamente a imposição da cultura da maioria que o texto denuncia como repressiva às minorias.