Questão 31 do ENEM 2012 — Filosofia
Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).
Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao
Resolução comentada
Maquiavel admite que a sorte decide metade dos atos, mas reserva ao livre-arbítrio "o controle sobre a outra metade". Esse resgate da capacidade humana de agir e decidir revela o vínculo com o humanismo renascentista: a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana — o homem, não Deus ou o destino, como protagonista da política.
A opção que fala em rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos distorce o texto: Maquiavel não rejeita o acaso — ele o aceita explicitamente como senhor de metade dos acontecimentos, equilibrando fortuna e ação humana.