Questão 23 do ENEM 2012 — Sociologia
Nossa cultura lipofóbica muito contribui para a distorção da imagem corporal, gerando gordos que se veem magros e magros que se veem gordos, numa quase unanimidade de que todos se sentem ou se veem “distorcidos”. Engordamos quando somos gulosos. É pecado da gula que controla a relação do homem com a balança. Todo obeso declarou, um dia, guerra à balança. Para emagrecer é preciso fazer as pazes com a dita cuja, visando adequar-se às necessidades para as quais ela aponta.
FREIRE, D. S. Obesidade não pode ser pré-requisito. Disponível em: http//gnt.globo.com. Acesso em: 3 abr. 2012 (adaptado).
O texto apresenta um discurso de disciplinarização dos corpos, que tem como consequência
Resolução comentada
Ao tratar o excesso de peso como "pecado da gula" e questão de disciplina com a balança, o discurso transfere toda a responsabilidade ao sujeito. A consequência é a culpabilização individual, associando obesidade à fraqueza de caráter — ignorando fatores sociais, econômicos e biológicos.
A opção que fala em democratização do padrão de beleza sugere que ele se tornaria acessível pelo esforço: na verdade, a cultura "lipofóbica" descrita gera distorção da autoimagem e culpa, não democratização do padrão.