Questão 119 do ENEM 2012 — Língua Portuguesa
Nós, brasileiros, estamos acostumados a ver juras de amor, feitas diante de Deus, serem quebradas por traição, interesses financeiros e sexuais. Casais se separam como inimigos, quando poderiam ser bons amigos, sem traumas. Bastante interessante a reportagem sobre separação. Mas acho que os advogados consultados, por sua competência, estão acostumados a tratar de grandes separações. Será que a maioria dos leitores da revista tem obras de arte que precisam ser fotografadas antes da separação? Não seria mais útil dar conselhos mais básicos? Não seria interessante mostrar que a separação amigável não interfere no modo de partilha dos bens? Que, seja qual for o tipo de separação, ela não vai prejudicar o direito à pensão dos filhos? Que acordo amigável deve ser assinado com atenção, pois é bastante complicado mudar suas cláusulas? Acho que essas são dicas que podem interessar ao leitor médio.
Disponível em: http://revistaepoca.globo.com. Acesso em: 26 fev. 2012 (adaptado).
O texto foi publicado em uma revista de grande circulação na seção de carta do leitor. Nele, um dos leitores manifesta-se acerca de uma reportagem publicada na edição anterior. Ao fazer sua argumentação, o autor do texto
Resolução comentada
O leitor elogia a reportagem, mas discorda do enfoque: os advogados consultados pensam em “grandes separações”, distantes do leitor comum. Em seguida, ele propõe uma série de perguntas com orientações mais básicas e úteis. Ou seja, o autor rebate o enfoque dado ao tema pela reportagem, lançando novas ideias.
A leitura de que o texto oferece dicas para orientar pessoas em processo de separação confunde o recurso com o objetivo: as “dicas” aparecem como exemplos do que a revista deveria ter publicado — o propósito da carta é criticar a abordagem da reportagem, não orientar diretamente essas pessoas.