Questão 26 do ENEM 2011 — História
É difícil encontrar um texto sobre a Proclamação da República no Brasil que não cite a afirmação de Aristides Lobo, no Diário Popular de São Paulo, de que “o povo assistiu àquilo bestializado”. Essa versão foi relida pelos enaltecedores da Revolução de 1930, que não descuidaram da forma republicana, mas realçaram a exclusão social, o militarismo e o estrangeirismo da fórmula implantada em 1889. Isto porque o Brasil brasileiro teria nascido em 1930
MELLO, M. T. C. A república consentida: cultura democrática e científica no final do Império.
Rio de Janeiro: FGV, 2007 (adaptado).
O texto defende que a consolidação de uma determinada memória sobre a Proclamação da República no Brasil teve, na Revolução de 1930, um de seus momentos mais importantes. Os defensores da Revolução de 1930 procuraram construir uma visão negativa para os eventos de 1889, porque esta era uma maneira de
Resolução comentada
Ao reforçar a imagem de 1889 como um evento excludente, militarista e estrangeiro, os vencedores de 1930 construíam um contraste favorável a si mesmos: desqualificar a "república velha" era uma forma de legitimar a nova ordem política inaugurada com sua chegada ao poder.
A opção sobre destacar a ampla participação popular obtida no processo da Proclamação afirma o contrário da memória consolidada: a citação de Aristides Lobo — o povo "bestializado" — nega justamente a ideia de ampla participação popular na Proclamação.