Questão 30 do ENEM 2010 — Filosofia
O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros que, por muita piedade, permitem os distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe, São Paulo: Martin Claret, 2009.
No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, reflexão sobre a Monarquia e a função do governante. A manutenção da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na
Resolução comentada
Para Maquiavel, o governante deve ser julgado pelos resultados: se alguns castigos duros e exemplares mantêm o povo unido e evitam a desordem, a crueldade é legítima. A ordem social baseia-se, portanto, na conveniência entre o poder tirânico e a moral do príncipe — a moral do governante se subordina à eficácia de manter o Estado.
As demais opções falam em inércia, bondade, compaixão ou neutralidade — atitudes que, para Maquiavel, são falsa piedade: ao evitar a punição exemplar, o príncipe permitiria distúrbios, roubos e assassinatos, prejudicando a todos.