Questão 113 do ENEM 2010 — Língua Portuguesa
Os filhos de Anna eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas.
LISPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
A autora emprega por duas vezes o conectivo mas no fragmento apresentado. Observando aspectos da organização, estruturação e funcionalidade dos elementos que articulam o texto, o conectivo mas
Resolução comentada
O conectivo "mas" assume funções discursivas distintas nos dois usos. No uso em que abre a frase ("Mas o vento batendo nas cortinas…"), opõe um alívio ao calor forte; no uso posterior ("não outras, mas essas apenas"), tem valor de retificação e restrição, corrigindo e delimitando a ideia anterior.
As opções que condenam o "mas" em início de frase erram: esse uso é legítimo e produtivo no texto literário, sem quebrar a fluidez nem violar posição fixa.