Questão 95 do ENEM 2009 — Artes
No programa do balé Parade, apresentado em 18 de maio de 1917, foi empregada publicamente, pela primeira vez, a palavra sur-realisme. Pablo Picasso desenhou o cenário e a indumentária, cujo efeito foi tão surpreendente que se sobrepôs à coreografia. A música de Erik Satie era uma mistura de jazz, música popular e sons reais tais como tiros de pistola, combinados com as imagens do balé de Charlie Chaplin, caubóis e vilões, mágica chinesa e Ragtime. Os tempos não eram propícios para receber a nova mensagem cênica demasiado provocativa devido ao repicar da máquina de escrever, aos zumbidos de sirene e dínamo e aos rumores de aeroplano previstos por Cocteau para a partitura de Satie. Já a ação coreográfica confirmava a tendência marcadamente teatral da gestualidade cênica, dada pela justaposição, colagem de ações isoladas seguindo um estímulo musical.
SILVA, S. M. O surrealismo e a dança. GUINSBURG, J.; LEIRNER (Org.). O surrealismo. São Paulo: Perspectiva, 2008 (adaptado).
As manifestações corporais na história das artes da cena muitas vezes demonstram as condições cotidianas de um determinado grupo social, como se pode observar na descrição acima do balé Parade, o qual reflete
Resolução comentada
A descrição do balé Parade destaca cenário e figurino de Picasso, música de Satie misturando jazz e sons reais (tiros, máquina de escrever, sirene, dínamo, aeroplano) e coreografia em colagem. Tudo isso incorpora à cena elementos da vida moderna e industrial, refletindo as inovações tecnológicas nas partes cênicas, musicais, coreográficas e de figurino.
A opção que fala em alienação dos artistas frente ao conflito mundial de 1939-1945 erra duplamente: em 1917 o pano de fundo era o conflito de 1914-1918, e os artistas não estavam alienados — ao contrário, traziam para o palco os ruídos e as máquinas de seu tempo.