Questão 75 do ENEM 2009 — Geografia

O movimento migratório no Brasil é significativo, principalmente em função do volume de pessoas que saem de uma região com destino a outras regiões. Um desses movimentos ficou famoso nos anos 80, quando muitos nordestinos deixaram a região Nordeste em direção ao Sudeste do Brasil. Segundo os dados do IBGE de 2000, este processo continuou crescente no período seguinte, os anos 90, com um acréscimo de 7,6% nas migrações deste mesmo fluxo. A Pesquisa de Padrão de Vida, feita pelo IBGE, em 1996, aponta que, entre os nordestinos que chegam ao Sudeste, 48,6% exercem trabalhos manuais não qualificados, 18,5% são trabalhadores manuais qualificados, enquanto 13,5%, embora não sejam trabalhadores manuais, se encontram em áreas que não exigem formação profissional. O mesmo estudo indica também que esses migrantes possuem, em média, condição de vida e nível educacional acima dos de seus conterrâneos e abaixo dos de cidadãos estáveis do Sudeste.

Disponível em: http://www.ibge.gov.br. Acesso em: 30 jul. 2009 (adaptado).

Com base nas informações contidas no texto, depreende-se que

A
O processo migratório foi desencadeado por ações de governo para viabilizar a produção industrial no Sudeste.
B
Os governos estaduais do Sudeste priorizaram a qualificação da mão-de-obra migrante.
✓
O processo de migração para o Sudeste contribui para o fenômeno conhecido como inchaço urbano.
D
As migrações para o sudeste desencadearam a valorização do trabalho manual, sobretudo na década de 80.
E
A falta de especialização dos migrantes é positiva para os empregadores, pois significa maior versatilidade profissional.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

O fluxo Nordeste-Sudeste continuou crescendo nos anos 1990, somando às metrópoles um grande contingente de trabalhadores majoritariamente pouco qualificados. Esse processo contribui para o chamado inchaço urbano: as cidades crescem além da capacidade de oferecer emprego, moradia e serviços adequados a todos.

A opção que descreve a falta de especialização dos migrantes como algo positivo para os empregadores é falsa e ainda inverte o problema: a baixa qualificação não é vantagem, e sim fator que empurra quase metade desses migrantes para trabalhos manuais não qualificados e mal remunerados.

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