Questão 58 do ENEM 2009 — Filosofia
Segundo Aristóteles, “na cidade com o melhor conjunto de normas e naquela dotada de homens absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma vida de trabalho trivial ou de negócios — esses tipos de vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades morais —, tampouco devem ser agricultores os aspirantes à cidadania, pois o lazer é indispensável ao desenvolvimento das qualidades morais e à prática das atividades políticas”.
VAN ACKER, T. Grécia. A vida cotidiana na cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994.
O trecho, retirado da obra Política, de Aristóteles, permite compreender que a cidadania:
Resolução comentada
Para Aristóteles, o cidadão ideal não deveria trabalhar: o lazer era indispensável às qualidades morais e à política, e por isso artesãos e agricultores ficavam de fora. A cidadania era entendida como uma dignidade própria dos grupos sociais superiores, fruto de uma concepção política profundamente hierarquizada da sociedade.
A ideia de que a cidadania vivida pelos atenienses seria restrita aos que se dedicavam à política é o distrator mais forte, mas o texto de Aristóteles é uma prescrição sobre a cidade ideal (a dotada do melhor conjunto de normas), e não uma descrição de como a cidadania era de fato vivida pelos atenienses.