Questão 53 do ENEM 2009 — Sociologia
O ano de 1968 ficou conhecido pela efervescência social, tal como se pode comprovar pelo seguinte trecho, retirado de texto sobre propostas preliminares para uma revolução cultural: “É preciso discutir em todos os lugares e com todos. O dever de ser responsável e pensar politicamente diz respeito a todos, não é privilégio de uma minoria de iniciados. Não devemos nos surpreender com o caos das ideias, pois essa é a condição para a emergência de novas ideias. Os pais do regime devem compreender que autonomia não é uma palavra vã; ela supõe a partilha do poder, ou seja, a mudança de sua natureza. Que ninguém tente rotular o movimento atual; ele não tem etiquetas e não precisa delas”.
Journal de la comune étudiante. Textes et documents. Paris: Seuil, 1969 (adaptado)
Os movimentos sociais, que marcaram o ano de 1968,
Resolução comentada
Maio de 1968 defendia a partilha do poder, a autonomia e a discussão política aberta a todos. Essa efervescência não morreu ali: ela inspirou as mobilizações posteriores, como o pacifismo, o ambientalismo, a luta pela equidade de gêneros e pelos direitos das minorias, que herdaram o espírito contestador daquele ano.
A ideia de que os protestos se restringiriam às sociedades de países desenvolvidos erra ao restringir 1968 aos países desenvolvidos: houve protestos também no México, na Tchecoslováquia (Primavera de Praga) e no Brasil, entre outros lugares.