Questão 117 do ENEM 2009 — Língua Portuguesa
Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
[…]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades…
O vento varria as mulheres…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos…
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.
Na estruturação do texto, destaca-se
Resolução comentada
A estrutura do poema é feita de anáforas e paralelismos: 'O vento varria as folhas, / O vento varria os frutos, / O vento varria as flores' e o refrão 'E a minha vida ficava / Cada vez mais cheia'. Destaca-se, portanto, a repetição de sons e de construções sintáticas semelhantes, que dá ritmo e unidade ao texto.
A opção que aponta a construção de oposições semânticas tenta o candidato porque há, sim, um paradoxo (o vento varre, mas a vida se enche); porém, o que estrutura o poema do início ao fim é o esquema repetitivo das frases, não a oposição semântica.